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SALPICOS DA VIDA

Cores, retalhos, pontos, momentos e emoções que vão acontecendo no tempo e na vida.

SALPICOS DA VIDA

Cores, retalhos, pontos, momentos e emoções que vão acontecendo no tempo e na vida.

Ter | 03.02.09

Sair do Buraco

Maria

Estive metida num buraco. Dobrada, enrolada sobre mim mesma, sem ouvir, ver ou sentir nada que não fosse a minha dor.

O mundo lá fora continuava indiferente, frenético, inconsciente, louco. A minha existência estava à parte, longe, sem esperança, sem futuro…

Partir um dia, sentir a dor de ver partir os que amamos é o destino que temos. A comunicação, a presença que sempre existiu acabou! Não existe mais.

Não adianta gritar, chamar, pedir. Não somos ouvidos e se somos não nos podem responder. A dureza desta barreira imensa é avassaladora. Simplesmente já não é possível, já não existe, acabou! Nada podemos fazer.

É preciso fazer o luto. Fazer o luto… Quanto tempo dura o luto? Quando acaba a saudade? E este nó na garganta e a dor no peito?

Vai passar, vai passar, temos de aceitar. - Alguém diz.

E o tempo flui numa linha contínua, carrasco das nossas vidas, remédio das nossas dores.

O tempo passa e o mal vai sarando, os ouvidos começam a perceber sons vindos de outro alguém, os olhos recebem luz e calor dum Sol redentor, as mãos sentem o carinho de outras mãos.

Como uma semente que sai do seu leito de terra e espreita o Sol da Primavera, a luz da esperança começa a renascer. Começo a sair do buraco.