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SALPICOS DA VIDA

Cores, retalhos, pontos, momentos e emoções que vão acontecendo no tempo e na vida.

SALPICOS DA VIDA

Cores, retalhos, pontos, momentos e emoções que vão acontecendo no tempo e na vida.

Dom | 30.09.07

A minha família canina I

Maria

A vida ensinou-me que só eles são capazes de dar amor incondicional. Para mim são tão importantes como as pessoas, por vezes mais. Fico mal quando os vejo abandonados e doentes. Por isso tenho dez em casa. Em casa e no quintal, que felizmente moro no campo. Não posso ter mais porque recebi um ultimato e não posso trazer mais nenhum. Hoje vou falar de dois deles: o maior e a mais pequenina, amigos inseparáveis que não se largam nem para comer e dormir. Ele chama-se Bóris e tem quatro anos. É o único cão de "marca" cá de casa, mas tal como os outros estava condenado a morrer. Está cá desde as seis semanas, lindo, doce maravilhoso, amigo e... gordo. Adoro o meu Bóris, meu grande amigo, que tão bem percebe e sabe consolar quando estou triste. Para além de tudo é futebolista e tem mau perder. A amiga tem 5 quilos, chama-se Leca, (Meia-Leca ficava grande demais) e tem 3 anos e meio. A Leca veio cá para casa com pouco mais de duas semanas. Não tinha dentinhos e não sabia comer sozinha. Até hoje me pergunto que espécie de "pessoa" teve coragem de pôr aquela coisa tão fofa no contentor do lixo. Mas teve. Os senhores da recolha do lixo ouviram-na "chorar" e levaram-na para o canil municipal. Foi onde a vi e não consegui deixá-la lá, onde ia com certeza morrer. Quando me dá tantos miminhos e olha para mim com aqueles olhos doces penso que a dita "pessoa" não sabe o que perdeu. Agora as fotos destes meus lindos. Os outros virão depois.

                                                              

 

 

Dom | 09.09.07

Parece que foi ontem.

Maria

 

Estou a descobrir que o meio da vida é falar de factos importantes que se passaram há vinte anos e dizer:
- Parece que foi ontem!
Esta frase começa a ter um significado mais profundo, mais compreensível para mim. Parece que foi ontem que os meus filhos nasceram. O seu pequeno rosto ficou para sempre gravado na minha memória com grande uma nitidez. Cada traço, os gestos das mãos, a cor e os jeitos do cabelo. Ainda ontem eram bebés, a depender de nós par tudo, agora são dois homens. Uns matulões lindos e têm a vida deles. Encho-me de orgulho e satisfação quando os vejo progredir na vida, a discutir as suas escolhas ou a confidenciar os seus segredos. Nem tudo foi fácil, crescer traz conflitos, crises, sofrimento. Agora, quando olho para trás descubro que o mais importante foi o amor, firmeza nalgumas ocasiões, tolerância noutras. Pelo resultado obtido permito-me pensar que fizemos um bom trabalho. Os nossos meninos são uns homens, mas continuam a ser os nossos meninos.
 

 

Ter | 04.09.07

DE BARRIGA CHEIA!

Maria

Hora do almoço. Arranjo o tabuleiro com a sopita, franguinho e fruta. Com ar enjoado, ela diz-me:

- Ai filha, não me apetece nada. Não tenho vontade nenhuma de comer.

E o tabuleiro volta para trás. Ao lanche o iogurte marchou. Chega a hora do jantar. Volta o tabuleiro com  o peixinho cozido e a fruta.

- Não sei o que tenho, não me apetece comer. Não quero comer nada.

Volta o tabuleiro para a cozinha.

Mau, ao almoço não come, ao jantar não come. Deve estar doente. Tenho de marcar consulta para a médica. Mais tarde vou fazer umas arrumações na despensa e desvenda-se o mistério. As tais bolachinhas redondas com chocolate lá dentro, que o João adora e estavam em promoção no Lidl tinham desaparecido. Três pacotes! Só espero que agora não fique doente a sério. É assim a segunda infância e os papéis invertem-se.

 

 

Seg | 03.09.07

"A MENINA QUE NUNCA CHORAVA"

Maria

 É o título do livro de Torey Hayden que acabei de ler. Trata-se da continuação de “A Criança que não Queria Falar”. Gostei mais do primeiro. Este aparece de uma forma mais forçada e menos envolvente. De qualquer maneira, ambos são histórias de vida, muito interessantes e comoventes. Contam a história verídica de uma menina, com uma inteligência notável, proveniente dum meio extremamente degradado a todos os níveis. O relato inicia-se quando a menina, aos seis anos, vai para uma turma de educação especial, quase com um rótulo de criminosa, traumatizada, rebelde, sobretudo vítima. O primeiro livro conta as vivências, avanços e recuos do percurso escolar durante um ano lectivo, e a ligação que se estabelece com a professora (Torey Hayden). O segundo livro relata o reencontro das duas, já na fase da adolescência e até à idade adulta. É daquelas leituras que fazem chorar, comover e pensar que este nosso mundo, às vezes , é mesmo cão (sem ofensa para os ditos).